A vila do cinema

 

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“Filho da mecânica e do ideal dos homens”. Era assim que Louis Delluc definia o cinema por este ser um operador estético, de ligações, de aproximações, de compromissos. Para Delluc, o cinema não acrescenta nada à beleza do mundo, nem a fabrica, permite apenas percebê-la melhor, pondo-a em relevo. Pode-se até dizer que o cinema está a meio caminho entre a subjectividade do olhar humano e objectividade do olhar da natureza.

O Filminho leva essa função do cinema a sério ao enfatizar o olhar entre duas vilas que se fundem numa só: a vila do cinema. Longe d’A Vila de Night Shyamalan, e talvez mais perto da série Mediamagica, de Werner Nekes, o Filminho surge como um apelo a uma longa história de enfatização do olhar e das capacidades de duas vilas unidas assim pela rte.

Cerveira e Tomiño. É nestas duas vilas que o Filminho decorre. Uma diante da outra, partilham o mesmo rio e juntas construíram a Ponte da Amizade, mas partilham também o resto da paisagem, pois os montes, os campos e as margens reflectem-se harmoniosamente no outro lado.

 

Seja pelo preço da gasolina, seja pelas ofertas da feira, é cada vez mais visível como a partilha dum espaço se entranha no quotidiano das populações, que recorrem à outra banda sem estranheza. Já não é o caso das excepções. As pessoas fazem-no na sua vida normal, tiram o melhor de cada lado e, sem repararem, constroem um novo espaço e uma nova comunidade. Este é o lugar natural do Filminho, o único onde portugueses e galegos se dão de forma igual e onde ninguém se sente posto de lado.

 

A nossa estratégia respeita cada vez mais um pensamento de complementaridade, ou seja, usar aquilo que precisamos apenas uma só vez e evitar as duplicações. Por exemplo, se o Auditório de Goián tem todas as características que necessitamos para um auditório fechado, então não precisamos fazer uma sessão para contemplar um auditório idêntico em Cerveira. E o mesmo se pode dizer do Auditório Municipal de Cerveira, para o caso das projecções no exterior.

 

A partir do imaginário partilhado, criamos um espaço comum em Cerveira e Tomiño e damos lugar a uma nova comunidade, a uma geração transfronteiriça.

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