Arquivo de Abril 2009

A vila do cinema

30/04/2009

 

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“Filho da mecânica e do ideal dos homens”. Era assim que Louis Delluc definia o cinema por este ser um operador estético, de ligações, de aproximações, de compromissos. Para Delluc, o cinema não acrescenta nada à beleza do mundo, nem a fabrica, permite apenas percebê-la melhor, pondo-a em relevo. Pode-se até dizer que o cinema está a meio caminho entre a subjectividade do olhar humano e objectividade do olhar da natureza.

O Filminho leva essa função do cinema a sério ao enfatizar o olhar entre duas vilas que se fundem numa só: a vila do cinema. Longe d’A Vila de Night Shyamalan, e talvez mais perto da série Mediamagica, de Werner Nekes, o Filminho surge como um apelo a uma longa história de enfatização do olhar e das capacidades de duas vilas unidas assim pela rte.

Cerveira e Tomiño. É nestas duas vilas que o Filminho decorre. Uma diante da outra, partilham o mesmo rio e juntas construíram a Ponte da Amizade, mas partilham também o resto da paisagem, pois os montes, os campos e as margens reflectem-se harmoniosamente no outro lado.

 

Seja pelo preço da gasolina, seja pelas ofertas da feira, é cada vez mais visível como a partilha dum espaço se entranha no quotidiano das populações, que recorrem à outra banda sem estranheza. Já não é o caso das excepções. As pessoas fazem-no na sua vida normal, tiram o melhor de cada lado e, sem repararem, constroem um novo espaço e uma nova comunidade. Este é o lugar natural do Filminho, o único onde portugueses e galegos se dão de forma igual e onde ninguém se sente posto de lado.

 

A nossa estratégia respeita cada vez mais um pensamento de complementaridade, ou seja, usar aquilo que precisamos apenas uma só vez e evitar as duplicações. Por exemplo, se o Auditório de Goián tem todas as características que necessitamos para um auditório fechado, então não precisamos fazer uma sessão para contemplar um auditório idêntico em Cerveira. E o mesmo se pode dizer do Auditório Municipal de Cerveira, para o caso das projecções no exterior.

 

A partir do imaginário partilhado, criamos um espaço comum em Cerveira e Tomiño e damos lugar a uma nova comunidade, a uma geração transfronteiriça.

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No corazón de África! (I)

27/04/2009

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Unha das viaxes do Filminho 2009 nos levará directamente ao centro do continente negro, a unha experiencia reveladora ao corazón mesmo de África. Asistiremos a unha viaxe de exploración e de descubrimento. Un percorrido parsimonioso e lento para ter conciencia dos pasos por un dos teritorios que foi berce da humanidade. O espectador que acuda ao Filminho poderá ser conscientes dos segredos de África mediante o visionado, en estrea mundial, de ´Tanyaradzwa´, de Alberte Pagán.

O Filminho sucede enrriba dun río. É como unha grande barcaza chamada a pousarse sobre as turbulentas augas inesgotábeis do Miño. Unhas augas que as veces están en remanso e que noutras, dependendo da dirección do vento, sacúdense rebeldes. O Filminho é u navío pendiente de surcar mil travesías, de chagar a centos de cidades e realizar moreas de singladuras para saborear froitos exóticos e protagonizar soños imposíbeis.

Ultimamente sairon nas librarías galegas as novelas “Ríofero”, de Xelís de Toro, e “Sete casas en Francia” de Bernardo Atxaga, chamadas a ser unha reescritura novelas decimonónicas de viaxes e descubrimentos coloniais. Sobre todo a referencia máxima desta creación referencial é “O corazón das tebras´, de Joseph Conrad que narra as aventuras de Willard na procura de Kurtz e na espreita do horror. Esta volta a estes rexistros e para provocar unha mirada cara o pouco que mudou os aspectos depredadores do home.

Esta perspectiva tórnase necesaria… E máis cando o mundo occidental encamíñase cara un caos frívolo deribado do consumismo e de atinxir o tan celebrado estado de benestar. O Filminho vai a participar desa procura no continente africano. Un descubridos de mundos despoxados, na tradición dos traballos de Jean Rouch ou dentro do espírito de Ousmane Sembéne, asistiremos a un retrato de Africa personificado en Tanyaradzwa, unha muller de Zimbadwe, unha ligazon entre o presente e o atávico. Unha fricción de tempos altamente dramático. A proposta do Filminho é que o público asista a proxección de “Tanyaradzwa”, de Alberte Pagán, o mellor filme europeo de introspección fiminina despois da Wanda de Pedro Costa.

Un acontecemento!

Xurxo González (programador do Filminho)

Lopes-Graça

24/04/2009

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“Não há machado que corte / a raiz ao pensamento / Não há morte para o vento / não há morte.

Se ao morrer o coração / morresse a luz que lhe é querida / sem razão seria a vida / sem razão.

Nada apaga a luz que vive / num amor, num pensamento / porque é livre como o vento / porque é livre.”

 

Bem conhecido de diversas gerações de portugueses, este poema “Livre” de Carlos de Oliveira, se não me engano nos anos 1960, tornou-se num dos hinos da resistência anti-fascista. Dele existem duas versões orquestradas, uma da autoria de Manuel Freire e outra versão, a minha predilecta, pela batuta do Maestro Fernando Lopes-Graça. 

O que tem isto a ver com o Filminho?

Pois bem, para começar, a mensagem transmitida assenta que nem uma luva no espírito do festival.

Depois, porque a obra do mestre Lopes-Graça me fascina. Não havendo, naturalmente, numa festa dedicada sobretudo ao Cinema, o espaço ou tempo necessários para homenagear tão importante figura da cultura portuguesa, resta, no entanto, a intenção de sobre a sua obra e a sua pessoa fazermos uma breve reflexão. Assim, sem querer estragar a surpresa, sempre digo que no Filminho 2009 haverá um espaço que transcende o Cinema, a fazer ponte com outras artes.

Lopes Graça nasceu em Tomar a 17-12-1906 e faleceu a 27-11-1994, em Cascais. Aos 14 anos trabalhava já como pianista no Cine-Teatro de Tomar. Em 1923 entra para o Conservatório de Lisboa, tendo sido aluno, entre outras figuras ilustres, do Mestre Vianna da Motta e de Luís de Freitas Branco. Frequentou Ciências Históricas e Filosóficas da Faculdade de Letras, tendo abandonado o curso em consequência do seu protesto contra a repressão de uma greve académica. Funda, entretanto, “A Acção”, um semanário republicano. Concluiu o Curso Superior de Composição com a mais distinta classificação mas, concorrendo ao lugar de professor, devido à sua oposição ao regime ditatorial vigente, a colocação foi-lhe vedada, assim como o acesso a quaisquer cargos públicos. Foi preso e desterrado para Alpiarça. Volta, passados alguns anos, a leccionar na Academia de Música de Coimbra e começa a colaborar na “Revista Presença”. Quando em 1937 lhe é concedida uma bolsa de estudos para Paris, mais uma vez é preterido por razões políticas, acabando por partir para França às suas próprias custas. Aderiu ao Partido Comunista Português em 1948, mas são-lhe conhecidas inúmeras divergências, dissidências e confrontos com a ortodoxia partidária.

Lopes-Graça é autor de uma vasta obra para piano, orquestra e obras corais de inspiração popular. Isto para além da sua ininterrupta actividade como musicólogo e ensaísta. Em colaboração com o etnólogo Michel Giacometti, a partir de 1950, faz centenas de arranjos de músicas tradicionais e que vão dar origem, entre outras, às chamadas “Canções Heróicas”, reportório proibido pelo regime fascista e que encontrou novo fôlego a partir de 1974.

O reconhecimento junto do grande público, afastado da música erudita, viria com o incansável trabalho desenvolvido com o Coro da Academia dos Amadores de Música. Com o fim do Estado Novo, Lopes-Graça foi reabilitado como figura incontornável da Música Portuguesa.

Mas, além de tudo isto, importa ao Filminho, dar a conhecer Lopes-Graça, além do artista. As suas convicções e o seu profundo humanismo. Será exibido um documentário, com testemunhos de algumas personalidades que privaram com o maestro, como a pianista Olga Prats ou o romancista José Saramago. O documentário “Fernando Lopes-Graça” é da autoria de Graça castanheira.

Aconselho a consulta da biografia do maestro, de Teresa Cascudo no site do Instituto de Camões em:

http://cvc.instituto-camoes.pt/figuras/flgraca.html

Termino com uma citação do próprio Lopes-Graça:

“O próprio artista é, afinal, uma roda da engrenagem do corpo social, ainda que não aspire senão à categoria de rouxinol ou de lunático”.

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A voltas coa lingua!

21/04/2009

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Desde hai meses a polémica arredor da lingua instalouse de forma endémica na Galiza. Un balbordo raiando que chega a atordar e a facer mala sangue! Mas por moito que o debate este instalado nos medios de comunicación e, por ende, na sociedade, non son quen de arredarme de escoitar tantas inxurias e barrabasadas contra o galego. Mais esta persecución tamén me leva a cuestionarme as miñas funcións como programador galego do Filminho…

A ver se me podedes axudar… No regulamento do Filminho está claro: seleccionaranse filmes filmados no sistema lingüístico galego-portugués e os que non están terá que ser subtitulados en galego, portugués ou inglés. Mas que acontece cos filmes galegos filmados en castelán? Teñen que incorporar lendas?

A liberdade dos creadores debe respetarse sobre todas as cousas. Hai filmes en que o bilingüismo agroma e hai cineastas que fan gala dese multiculturalismo homoxeneizador, mas outros optan lexitimamente polo castelán. A Lei do Audiovisual de Galicia de 1999 fala en que se deben apoiar os filmes que den conta no panorama lingüístico de Galicia, sexan en galego ou en castelán. O Filminho está cometendo algo ilegal? Tería que tratar do mesmo xeito a un filme rodado en galego ou en castelán? A Guardia Civil ou a GNR terían que actuar de oficio e levar presa a toda a malta da Morraceira?

Nos últimos anos a produción audiovisual rodada en galego medrou de xeito exponencial, mas aínda seguen existindo prácticas, lexítimas, que avogan pola posterior dobraxe ao galego. Saco a reflectir estas dúbidas porque este é precisamente un ano no que se produce o fenómeno de que están a saír producións filmadas en Galicia de grande calidade mais en castelán. Entrei en contacto cos seus responsábeis e pregúntanme se é necesario o gasto ou o traballo de subtitular as súas obras. O Filminho podería facer unha excepción con estes filmes? Iría contra os principios do festival de apoiar a produción en galego ou portugués?

Mas as preguntas tamén poden ser outras. Porque se filman en Galicia filmes en castelán? O galego non é un idioma con “proxeccións”? Os filmes galegos están condenados a non traspasar fronteiras? A ser só de consumo interno? O Filminho está a dar as costas a esta produción galega en castelán?

O Filminho o ten claro: a produción en castelán acéptase sempre en cando que este subtitulado. O Filminho ten como obriga protexer a produción en galego xa que esta debe ser entendida como manifestación cultural enxergada, xunto co portugués, nun sistema lingüístico propio e diferenciado.

Nótase que non son filólogo nas miñas valoracións mas gustaríame que me axudarades na miña condición de programador. Aceptarías para o Filminho filmes galego rodados en castelán sen subtitular? Si ou non? Mais unha cousa é certa que todas estas incertezas son un baremo excelente para mostrar a necesidade da existencia do Filminho.

Xurxo Gonzalez (programação)

Ano 2009 d.C.

20/04/2009

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Toda a Ibéria se encontra ocupada. Toda? Não…

A equipa do Filminho voltou.

E para quem vaticinou o seu fim, deixamos um aviso: Voltamos e estamos mais fortes.

Bebemos do mesmo caldeirão cultural, regeneramo-nos e avançamos, apesar da crise, apesar do enorme eucalipto lisboeta que seca tudo à sua volta, pois recusamos ser apenas paisagem. Ou folclore. Transferimos a centralidade para os limites fronteiriços e mais além. Sempre com um pé cá, outro lá. Contra a ignorância. O imobilismo. Contra tanta coisa que não vamos enumerar, sob pena de nos confundirem (o desporto preferido dos situacionistas) e nunca perceberem ao que viemos.

Cada qual tem os seus moinhos de vento e os nossos não são imaginários, são bem reais. O mais perigoso é a Indiferença. Daí, recorremos – não raro – à provocação.

André Martins, o director, qual Fitzcarraldo, teve um sonho e telefonou-me a meio da noite, e ao Xurxo, e ao Gustavo… e o Filminho tornou-se um objectivo imparável. Somos, então, os Quatro do Apocalipse. Este ano, seremos mais. E todos são bem-vindos.

Até os bardos serão convocados. Não serão amordaçados quando nos sentarmos, no fim desta aventura, para comer o javali… ou a lampreia.

 

Paulo Martins (Programação)

 

E para onde é que vão os filmes?

16/04/2009

Pois os que são enviados para a morada portuguesa do Filminho vão para aqui:

Entrada da Morraceira / Filminho

Entrada da Morraceira / Filminho

Sim, criadores. Sim, produtores.  Do lado português, é aqui que são entregues os filmes – e já são muitos! – que vocês nos enviam.

Esta é a sede da Morraceira portuguesa, a associação que está por detrás do Filminho. Fica em Loivo, lugar de Segirém, Cerveira.

Entrada da Morraceira / Filminho

Entrada da Morraceira / Filminho

E do outro lado da casa o que está? Pois está o rio, o vale, a Galiza. Logo ali.

Primeira nota de prensa enviada! (post a deshoras)

14/04/2009

O FILMINHO 2009 ABRE O PERÍODO DE INSCRICIÓN PARA AS SÚAS MOSTRAS COMPETITIVAS

A segunda edición do Festival de cine galego e portugués celebrarase entre o 16 e o 19 de xullo en Tomiño e Vila Nova de Cerveira


Tomiño-Vila Nova de Cerveira. 14 de abril de 2009. Ata o próximo 30 de maio a organización do Filminho – Festa do cinema Galego e Portugués – comeza a recibir inscricións para as mostras competitivas. A inscrición é gratuíta e pode ser feita a través do portal www.filminho.info, e do e-mail info@filminho.info.

A segunda edición do Filminho terá lugar nos días 16,17,18 e 19 de xullo en Vila Nova de Cerveira (Portugal) e no concello de Tomiño. As principais seccións competitivas do Filminho son o Gran Premio, atribuído ao mellor filme de produción galega e/ou portuguesa en competición no Festival e Cinema Miñoto, orientado para filmes realizados ou con referencias á rexión.

Conforme o regulamento, a preselección será realizada por un xurado nomeado pola dirección do festival. Os filmes concorrentes deberán seguir os seguintes requisitos: as obras (de calquera xénero ou duración) teñen que ser posteriores ao 1 de xaneiro de 2008; ser faladas, ou subtituladas, en galego e/ou portugués; estar dispoñibles para exhibición en 35mm ou Vídeo (DVCAM, DV ou miniDV, só sistema PAL). No caso de que o filme fose seleccionado, o responsable recibirá unha notificación por e-mail ata o día 21 de xuño de 2009.

As exhibicións terán lugar en dous grandes espazos: no Auditorio de Goián (Tomiño), unha sala máis tradicional, e no Auditorio de Cerveira, ao ar libre. O regulamento e a ficha de inscrición están dispoñibles no portal web www.filminho.info.

Filminho 2009

En breve, podemos sinalar dous puntos destacados do Filminho:

1) O Audiovisual Galego e Portugués. A continuidade cultural, lingüística e xeográfica entre Portugal e Galicia fornece aos criadores e mercados audiovisuais todo un mar de oportunidades para explorar e debe ser reflectida nas imaxes cinematográficas. Nos tempos que corren, non temos dúbidas de que algo que é necesario cultural e economicamente, non debe fallar.

2) O seu carácter transfronteirizo. É sinxelo para un festival o ser internacional por recibir filmes de varias nacionalidades. Porén, que un festival o sexa porque acontece en dous países é algo completamente diferente. Porque se estabelece sobre a fronteira, anulando calquera distancia, xuntando pobos e culturas, sen quedar nun sentido conceptual ou discursivo, séndoo fisicamente, na propia realidade.

Nesta edición, o obxectivo do Filminho é dar a máxima atención a cada filme, a cada sesión, a cada convidado, a cada espectador, e a máxima visibilidade ás cinematografías, aos criadores, aos produtores e, claro, aos patrocinadores. Na programación, podemos adiantar xa a retrospectiva sobre o realizador Edgar Pêra.

Declaracións

“O Filminho arrisca e deseja petiscar. Nunca deixaremos de fazer um festival que arrisca. É característica do Filminho agradar a uns e não agradar a outros, pois nada de verdadeiro pode ser perfeito. O Filminho quer marcar o seu tempo, modificar as formas de olhar o Minho transfronteiriço e tudo o que o compreende”.

André Martins, director do Filminho.

“Saudamos a chegada do Filminho, que sen dúbida axudará a aproximar e a intensificar un proveitoso ir e vir de xentes, cultura e ideas. O Filminho é o primeiro grande evento cultural que acontece, ao mesmo tempo, en Galiza e en Portugal, feito por e para galegos e portugueses”.

Sandra González, Alcaldesa do Concello de Tomiño.

“O Filminho é um evento que consagra a proximidade geográfica e os numerosos vínculos entre a Galiza e Portugal como a afinidade idiomática e cultural”.

José Pedro Ribeiro, do Instituto do Cinema e Audiovisual de Portugal.

“O Filminho é un proxecto deseñado para potenciar o encontro e a convivencia entre creadores de dous países”.

Manuel González, Axencia Audiovisual Galega.